Bom, eis que o texto “Felipe Neto, Preço Justo e A Superficialidade do Mimimi da Classe Média: Não Faz Sentido" (veja aqui http://migre.me/4njXe) teve uma repercussão incrível e fez o seu papel pois gerou um debate mais profundo sobre a questão tributária, a disputa do fundo público e a relação Estado e Setor Privado em tempos neoliberais.
Muita gente leu o texto, comentou aqui ou discutiu nas redes sociais, muitos entenderam as argumentações, concordaram e reforçaram elas. Outros, que faziam parte do movimento PrecoJusto, repensaram a forma e sobre o que reivindicar, outros ainda vieram até aqui, leram, discordaram e argumentaram colocando seus pontos de vistas, direito deles. Mas houve uma grande parcela, daqueles que concordam com o #precojusto que, sequer, entenderam as argumentações, acusando-as de estarem no texto defendendo o governo e os altos preços.
Nenhum desses grupos citados acima vai aqui ser adjetivado de “babaca”, como fizeram com os que discordaram do movimento. Mas quero tentar ser ainda mais pedagógico, coloquial, claro e conciso sobre o que defendo para não gerar dúvidas. Peço para quem não leu o primeiro texto, leia antes de continuar esse aqui, pois não pretendo repetir as questões com a profundidade que está lá. (veja aqui http://migre.me/4njXe)
Então, lá vamos nós.
Porque você é contra que abaixe os preços dos produtos importados? Você é contra que as pessoas lutem por seus direitos? Por que você não quer que acabe com os impostos?
Não se é contra que se abaixe os preços dos produtos importados, se é a favor que a luta seja para que os lucros abusivos das empresas sejam diminuídos. Como fazer isso? Aumentando o salário dos trabalhadores e não cobrando impostos deles, mas sim das empresas , isso tem que ser feito de forma universal, em todos os ramo, no nosso País e nos outros.
Não se é contra as pessoas reivindicarem seus direitos, pelo contrário, temos que fazer isso mais e mais e para além da internet. Mas temos que fazer isso com conteúdo, com organização e com uma visão de totalidade. Não podemos olhar para o nosso próprio umbigo, temos que lutar para o bem de todos. Se eu reivindico algo com uma visão individualista posso não está enxergando os reais motivos dos problemas e alargando eles mais ainda.
Assim, o problema não é querer diminuir os preços dos produtos importados, mas não argumentar profundamente sobre isso, não colocar como isso deve acontecer e deixar transparecer que acabar com os impostos é a solução para os problemas existentes.
Entendam, os impostos não devem acabar, eles devem serem cobrados dos que tem mais dinheiro e investidos para quem tem menos dinheiro. Temos que reivindicar que os impostos sejam bem empregados e sejam cobrado de quem tem lucro e não de nós.
Você acabou de dizer que a culpa é do Estado. Não seria melhor se não tivesse nenhum imposto e pudêssemos comprar o que quiser?
Não foi isso que eu disse. A culpa não é do ESTADO, é do GOVERNO. É de quem está comandando e gerindo as ações do Estado.
Se estamos insatisfeitos temos que lutar contra o governo e não para acabar o estado. Se não tiver imposto, tudo vira mercadoria, nada é público, tudo tem que dá lucro e quem tem mais dinheiro vai sempre sair ganhando de quem não tem dinheiro para poder ter acesso às coisas. Como já acontece hoje com o pobre que não tem direito a uma boa educação ou a saúde por que o setor público está sucateado e ele não tem dinheiro para pagar no setor privado. Temos que exigir do Governo que o Estado tenha qualidade de seus serviços pois isso é direito do povo.
Mas porque em outros Países esse sistema de pagar menos impostos funciona bem? Lá as pessoas pessoas pagam por saúde, educação e tudo não funciona?
Isso não é bem verdade. Primeiro que isso é consequência da exploração que suas empresas, as multinacionais e os Bancos, têm com outros países. Pois se as multinacionais exploram os países menos desenvolvidos e leva o lucro para os países desenvolvidos sua riqueza existe por que há um país pobre sendo sugado.
Mas mesmo esses países como o EUA, hoje sofrem com a crise desse modelo de “Estado Mínimo” e do Setor Privado como centralidade de tudo. A classe média está falindo e os pobres estão sofrendo cada vez mais lá. Para ver isso basta assistir o filme do Michael Moore “Capitalism Love Story” . E ainda tiver curiosidade veja também o “Sicko” para saber como é a Saúde no EUA.
Por que não se deve acabar com os impostos mesmo?
Porque sem impostos não há fundo público. Sem fundo público não há educação, saúde, segurança pública, etc. Sem nada disso público a gente vai ter que pagar por isso, ou seja, saúde, educação, segurança se tornam mercadoria, como mercadoria elas tem que darem lucros. Como elas darão lucros? Cobrando mais do que ela vale e explorando quem trabalha nesses setores para que produzam mais e baixem os custos. Quando a educação, a saúde, a segurança e qualquer outro bem, serviço e direito é público ele não tem que dá lucro. Assim temos que exigir do Estado que empregue os impostos nesses setores para que tenhamos acesso a tudo isso público, “gratuito” e de qualidade e possamos gastar nosso dinheiro com outras coisas.
Por que isso não já acontece se o Brasil já cobra tantos impostos?
Não acontece por três fatores: Primeiro por causa da corrupção. Então que lutarpara expulsar e punir os corruptos do governo. Segundo porque o dinheiro é mal empregado gerando serviços de má qualidade, como nossas escolas e hospitais públicos.
Por que isso acontece?
Por que os políticos que nos governam não querem fazer com que os serviços públicos deem certo, pois eles são financiado pelas empresas privadas que querem que tudo se torne mercadoria para poderem lucrarem com escolas, faculdades, planos de saúde.
Qual o terceiro fator para os impostos não serem empregados para a população?
O terceiro e muito importante fator é que os impostos que já são arrecadados de forma errada, concentrado nos trabalhadores e não nas empresas, são em boa parte reservados para investir em bancos e em empresas, emprestando dinheiro para elas e não empregando nos serviços para o povo. Ou seja, as empresas pagam menos impostos, recebem ajuda do governo e ainda transforma os direitos que o Estado não dá com qualidade em mercadoria, assim possibilidade de lucro.
Como assim as grandes multinacionais não pagam muitos impostos e porque elas conseguem fazer produtos tão baratos lá fora do país?
Existe uma coisa chamada isenção fiscal. Quando as multinacionais começaram a diminuir os lucros, seus gestores criaram estratégias de lucrar mais. Como? Migrando suas linhas de produção para países menos desenvolvidos. Elas vão para países onde não precisam pagar um salário alto, onde não tem leis trabalhistas que apoie os trabalhadores e onde a jornada de trabalho é maior.
Além disso,recebem do governo isenção fiscal, ou seja, não pagam impostos, sob desculpa que estão gerando emprego. Assim, a empresa vai lá no país, suga tudo dos trabalhadores e quando encontra um outro lugar onde possa pagar menos impostos ainda e explorar mais ainda os trabalhadores elas se mudam e deixam todo mundo desempregado. Por isso que os preços de produtos são tão baixos. Indico um videozinho mais curto chamado a Historia das Coisas para mostrar mais ou menos como as coisas funcionam, eis o Link http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E É um vídeo rápido e divertido de assistir.
Então, dito tudo isso, digo que é muito pouco pedirmos preço justo. Convido o Felipe Neto, que é um jovem criativo, carismático e tem essa enorme vontade de lutar por nossos direitos a utilizar toda a sua indignação num movimento maior: O BRASILJUSTO!
Que tal todo mundo que está se mobilizando pelo #PRECOJUSTO lutar pelo #BRASILJUSTO? Vamos twittar, fazermos vídeos, escrevermos textos e fazermos abaixo-assinados muito mais amplos. Que tal dizermos ao governo que exigimos salários maiores para que todos possam comprar mais produtos? Que tal dizermos ao governo que não vamos mais admitir que os impostos sejam utilizados para reservas e financiamentos de Bancos e Empresas ao invés de serem aplicados nos bens e serviços da população.
Que tal dizermos ao governo que estamos cansados de não termos dinheiro para adquirir nossas coisas. Que a classe média e pobre exige que os impostos sejam cobrado da elite, das grandes instituições privadas nacionais e internacionais. Que não vamos admitir mais corrupção com o dinheiro público e que não vamos mais pagar para fazer faculdade ou ir ao médico, pois queremos gastar nosso dinheiro com outras coisas, não com o que já é nosso direito, direito de todos e assim queremos mais vagas nas Universidades Públicas e queremos que o SUS seja digno, seja de qualidade! Que tal fazermos protestos de verdade, orgânicos? Discussões mais aprofundadas?
Tenho até uma sugestão para a pauta do abaixo-assinado. Ao invés de meramente pedir #precojusto, vamos substituir o velho abaixo-assinado por um novo com essas reivindicações :
1- Que o Salário Mínimo tenha aumento substancial dando condições das pessoas poderem suprir todas as suas necessidades;
2- Que a carga tributária se concentre na elite financeira do País, nas Empresas nacionais e internacionais e não no povo.
3- Que acabe com a política de isenção fiscal e precarização do trabalhador nas Empresas, visto que elas só querem diminuir seus custos e aumentar seus lucros.
4- Que exigimos que todo o fundo público seja revertido para os direitos da população, dando-lhes bens e serviços universais e de qualidade como saúde, educação, segurança, cultura, lazer, proteção social. Nos dando o direito de gastar nosso dinheiro com outras coisas.
5- Que exigimos que todo ato de corrupção seja severamente punido. Que façamos uma varredura no setor público contra políticos e funcionários que não zelam pelo bem de todos e todas.
6- Que o governo brasileiro lute internacionalmente contra o império financeiro das Multinacionais que exploram os países menos desenvolvidos.
E aí galera, vamos lá? Mostrar que não estamos olhando só para o nosso umbigo? #BRASILJUSTO, e Mundo Justo! Preço Justo para produtos eletrônicos, para filmes e dvd´s, mas preço justo também para a cesta básica, para as passagens de ônibus, para as contas telefônicas, etc. Salários justos, juros justos, valores justos.
Mais qualidade do Serviço Público! Menos mercantilização dos nossos direitos! Mais poder aquisitivo para a população mais pobre! Vamos à internet! Depois vamos às ruas! Vamos nos informar, nos tornar cada vez mais politizados e fazer com que as coisas mudem de verdade!
Repito #precojusto é muito pouco. Eu quero é #BrasilJusto
4 comentários:
apoio
boooa
Excelentes textos!
Mas algumas duvidas, q acho pode gerar uma discussão interessante.
Vc acredita então, falando em medidas concretas, q os impostos sobre os produtos importados?
Eu acho q produtos estrangeiro tem q mais é q ser taxado, DESDE DE QUE, haja industria nacional produzindo o produto. Então seria uma boa estimular industrias estrangeiras a se estabelecerem aqui, com a condição de fabricarem e venderem os produtos a preços mais acessiveis?
Ou será possível q nossas industrias, genuinamente nacionais, podem produtos as bugigangas tecnológicas? Quem sabe a custo de royalties? Quem sabe a custo de nós mesmos a desenvolver?
O que você disse é um tanto utópico mas alguns itens podem ser realizados... como o item 1, 2 (o Obama está tentando fazer algo parecido, se não for exatamente isso), 4 e 5.
O item 3 a parte que diz respeito a precarização do trabalhador nas Empresas pode ser resolvida atualmente no Brasil, mas a parte de isenção de impostos é feita para atrair a criação de empresas (tanto internacionais como nacionais) no país. Eu acredito que quando tivermos um mercado financeiro sólido conseguiremos fazer todas essas exigências.
Não estou dizendo que é impossível de ser feito, mas atualmente com o governo que temos e sua incompetência, é pedir muito.
O que o Governo precisa fazer é uma reforma na educação pois ele investe boa parte do dinheiro em educação (5,2% do PIB o que é próximo ao dos europeus), mas o dinheiro aqui é mal gasto, e só conseguiremos mudar a situação com educação de qualidade.
Se não temos educação de qualidade como podemos esperar que o povo reconheça quem são os verdadeiros políticos que estão indo lutar pelo povo e fazer as coisas direito? Se não tivermos educação de qualidade só teremos mais palhaços (o tiririca não é o único palhaço) e "mulheres melancias" nos representando no DF.
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