Texto de : João Monteiro
Fonte: http://twextra.com/avx6zn
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Estudantes universitários serão os futuros profissionais, preparados, despreparados, conscientes, inconscientes, honestos, corruptos...
É possível medir o futuro de um país pelo nível de comportamento dos seus estudantes universitários, os futuros cientistas, os mestres que irão multiplicar a ideia de um novo modelo social solidário e consciente ou repetir uma sociedade falida e preconceituosa. Estudando o presente, a mobilidade social das pessoas, identificamos as consequências das regressões e evoluções humanas. Que tipo de sociedade teremos no futuro?
Como reflexão os exemplos de bullying na escola, onde os rotulados de “diferentes” são alvos de violência, desprezo, exclusões... Penso como agirão os praticantes de bullying da infância, agora como estudantes universitários e depois como profissionais, numa sequência de valores nocivos e destrutivos para a sobrevivência e evolução social.
Lembro de um estudante universitário que passou pelo Laboratório, com AD cognitivo: “Estou desistindo da universidade, fui muito discriminado pelos “colegas”. É este meu jeito de ser “diferente” que não agrada as pessoas...” Amigos do curso de medicina de Pernambuco foram participar de seleção em São Paulo para uma especialização, quando chegaram para fazer as provas encontraram faixas expostas pelos futuros médicos - “Fora nordestinos”. Lembra da estudante de direito Mayara Petruso que deu um show de xenofobia no Twitter com a frase: “Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado”. No estacionamento da Beira Mar, um estudante de arquitetura invadiu o estacionamento para pessoas com mobilidade reduzida com seu veículo, discutiu com um cadeirante que chegava para estacionar, depois saiu mancando, zombando da situação. Na internet estudantes de serviço social expressam a homofobia, como adeptos do pastor Silas Malafia, confundindo preconceito com liberdade de expressão.
Como podemos imaginar a vida de estudante universitário do médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, acusado de mais de cinquenta estupros cometidos contra pacientes em sua clinica? Em quantas seleções ele foi aprovado?
Avaliando e acompanhando o comportamento de jovens universitários, é possível fazer uma previsão quanto nível profissional destes estudantes. Adjetivando um pouco o texto, como forma de protesto aos exemplos apresentados, teremos no futuro profissionais medíocres...
Um estudante de direito que expressa xenofobia com facilidade, pode ser um juiz no futuro, com este modelo de concurso que mede apenas conhecimento teórico e titulação, como vai julgar a morte de nordestinos por grupos neonazistas? Um estudante de arquitetura que se nega a oferecer acessibilidade a uma pessoa com deficiência, como vai criar desenhos universais como arquiteto? Estudante de serviço social que expressa homofobia sem dificuldade, como vai realizar estudos de casos de adolescentes homoafetivos agredidos por jovens homofóbicos? Como estudantes de medicina com práticas de violência e preconceitos vão atender crianças, velhos, afrodescendentes e nordestinos?
Exemplos servem para estudos, pesquisas, informações essenciais para entender como estamos distantes de desenvolver um processo seletivo que promova melhores pessoas, conscientes, solidárias e generosas.
A sequência de vida do bullying praticado na infância, pelos níveis de violência, de uma adolescência conflitante, ingresso em uma universidade, até assumir como profissional, revela a possibilidade de ações profissionais repletas de preconceitos e violência, representa uma realidade que estamos acostumados a vivenciar. As consequências são retratadas nos políticos corruptos, nos juízes injustos, nos médicos desumanos, nos arquitetos que criam intencionalmente sem acessibilidade, nos jornalistas que escondem a verdade, nos professores que praticam bullying, nos assistentes sociais que são adversários da inclusão social, nos policiais que aderem ao crime organizado...
Os exemplos dos níveis profissionais, retratados neste texto, como estudantes universitários, apenas provocam a reflexão de uma sequencia humana de conflitos, aprendizagem e incoerências...O que se aprende nas universidades não é suficiente para formar bons profissionais, boas pessoas...
No tempo de nascer, crescer e envelhecer, está o segredo do surgimento de melhores pessoas. A vida, as permissões, os caminhos percorridos, as portas abertas e fechadas, o que se pensa e o que se faz, as heranças, são fragmentos de vida que podem levar ou não a generosidade...
Universidades, mestrados, doutorados, são títulos humanos, simbolizam o que se aprendeu de teorias, mas não representam os valores de comportamento que levam a consciência da evolução humana...
*Texto escrito por João Monteiro Vasconcelos (@outrasvidas) coordenador do laboratório de inclusão da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS)
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